sábado, 14 de novembro de 2015

Coisas que EM nenhuma me faz esquecer [parte II]

Tem coisas na nossa vida que são tão marcantes que NADA nesse mundo é capaz de me fazer esquecer. Tantas histórias acontecem todos os dias na minha vida, mas aqui eu conto pra vocês a segunda remessa de Coisas que EM nenhuma me faz esquecer.

Para a pARTE UM, CLIQUE AQUI

1. Solugel não é pasta de dentes
Lá estava eu, viajando, quando um belo dia fui escovar os dentes, tirei o tubo da bolsa, passei o conteúdo em minha escova e fui escovar os dentes... Mas aquela pasta tinha um gosto esquisito, nem parecia com minha colgate total 12, close up fire-freeze de sempre, ou sequer as outras que eventualmente eu utilizava na época... nem sequer fazia espuma... fiquei estranhando na hora, mas ok...
Pois bem, terminei de escovar os dentes e... O.o WTF?!?!?! ERA meu tubo de SOLUGEL.
       
Ok, Solugel sempre foi meu melhor creme contra as espinhas, entretanto era PRA ESPINHAS, não pra escovar os dentes o.O
Me explico: devo ter pegado o primeiro tubo que encontrei na mochila e como tinha o mesmo formato de uma pasta de dentes e tava escuro, passei na escova. Só muito depois percebi que não era bem um tubo de pasta de dentes :T
Mas tá tudo bem. Pelo menos meus dentes nunca mais ficaram com cravos, espinhas ou aparência de nerd desde então.

2. Coisas de cinema
Uma coisa certamente inesquecível é o dia que fui ao cinema com minha namorada pra assistirmos ao filme de terror que ela tanto queria assistir. Eu sabia que ela ficaria com medo, mas ela GARANTIU que não tinha medo de filmes de terror. Gastei quase R$ 30,00 pra assistirmos, e quando estávamos assistindo ao filme, ela ficou completamente apavorada, gritava e se tremia de medo. Saímos da sala de cinema, assim que chegou em uma cena que pra ela foi assustadora demais (ainda que fosse só um brinquedo caindo no chão, literalmente) e ela ficou chorando e tremendo lá fora, o tempo todo abraçada comigo, até que chegou o gerente e deixou que assistíssemos GRATUITAMENTE a uma outra sessão que se iniciaria em 5 minutos, de um filme que era bem legal e que acho que era infantil (afinal, combinava mais com a Paula)…
E esse foi o que acabamos assistindo, filme legal... Me lembrou o livro "1984".

3. Encontros e encantos
A coisa mais inesquecível é também o primeiro encontro de Pacientes e Blogueiros com Esclerose Múltipla que eu participei, foi lindo demais e lá pude encontrar e conhecer pessoalmente a Bruna. A moça responsável por ensinar pra Paula que eu tenho Esclerose Múltipla e que não era invenção pra me fingir de coitadinho. A Paula achava que eu estava fazendo teatro só pra conseguir uma namorada e, mesmo ela vendo eu tomar injeções de interferon, achava que os remédios eram brincadeiras e era tudo fingimento porque eu não tinha cara de quem tem Esclerose Múltipla. Felizmente, hoje ela sabe que Esclerose Múltipla e/ou esclerosado não tem cara.
Nesse mesmo encontro, também conheci pessoas lindíssimas que pude admirar de perto também, como a Cynthia Macedo, a Bete Tezine, a Priscila Torres, o Gustavo, o Jaime, o Rodrigo e conheci quem me lia de longe, como o Marco Torronteguy. Descobri gente "nova", como a Thaty Stocco, Tuka Güttler e Marina Mafra. Conheci tantas associações de outros estados, representantes de laboratórios, doutores da alegria e muitas outras pessoas que nos encontraram.
Cada encontro, foi certamente, um encanto e que eu continue a me encantar por cada um que eu refaço em minha memória todos os dias. Espero que venham outros encontros.

4. Baseado em fatos reais
Pra quem não leu, recomendo que leia o texto que publiquei no último primeiro de abril. Se você não leu, sugiro fortemente que leia, pra poder seguir lendo este presente tópico. Sem mais delongas, iniciemos:
A coisa inesquecível da vez foi quando traguei algumas vezes num cigarro de maconha e as consequências que aqueles tragos me trouxeram. Sim, tudo o que está lá é fato verídico em cada ponto.
Por que é inesquecível? Porque vou me lembrar sempre de TODAS as experiências que fiz em busca de melhora clínica para a Esclerose Múltipla, desde tratamentos alternativos "seguros" até tratamentos alternativos arriscados. O que fica da experiência é que eu não senti nada além da minha fome habitual e tontura.
A propósito, mesmo sendo uma postagem de primeiro de abril eu não menti porque, quando criança, aprendi com a Núbia, uma das mães que tenho, que não podemos mentir EM HIPÓTESE ALGUMA. Quem sabe no próximo primeiro de abril eu acabe quebrando regras.

5. Irideialogia
Quando eu era criança, minha progenitora fez um curso de iridologia (uma ciência que diagnostica doenças através das íris dos olhos das pessoas) e minha supracitada progenitora vivia com lupas pra olhar os olhos dos outros e diagnosticar coisas baseada naquilo. Não lembro como exatamente eu fiz pra chegar àquela conclusão, mas quase que imediatamente coloquei a lupa num espelho e tchanaaaan! Descobri que seria possível se autodiagnosticar.
A supracitada progenitora usou minha ideia e passou a vender a minha primeira invenção pra um monte de gente que fazia o curso também. Depois disso ela passou a espalhar para o mundo todo como eu supostamente era muito inteligente. Eu lembro também que ela não queria que eu contasse a minha ideia fascinante de como funcionava o aparelho fantástico que inventei. Não que fosse tão difícil pra alguém que soubesse que a ideia foi de uma criança, concluir que era uma coisa simples assim.
Falando em ideias, olhei pra essa imagem que acabei de ver pela web e fiquei pensando como será que está essa parte onde nela diz "mental ability" nos meus olhos. Só acho triste que meus olhos não sejam de cor clara e eu esteja pensando nisso à noite... quem sabe eu não procure ver isso quando alguém me doar uma lupa... Espelho eu tenho aqui.


6. Corrente do bem
Parecia um dia normal, a Paula estava se sentindo muito enjoada ficou sem almoçar, ela não quis nem comida que gosta do shopping. Resultado? Tive que comprar um bolo que a enjoou assim que ela viu  e acabou não comendo, por isso guardamos para comer quando chegássemos em casa. Quando chegamos na parada de ônibus, havia uma senhora, que havia acabado de descer de um ônibus, e aparentava estar bêbada, cansada e com fome. Conversamos qualquer coisa com ela e antes que ela saísse, demos o bolo a ela, que não me disse que sentia fome, mas simplesmente demos a ela.
Eu esperava no máximo algum agradecimento singelo, mas a mulher ficou com os olhos marejados e começou a chorar. Saiu, comendo, agradecendo e chorando, depois simplesmente desapareceu. Vou lembrar sempre daquela senhora frágil, bêbada, solitária, triste. Vou lembrar do rosto dela, principalmente quando lembrar que, no momento que dei o bolo, o sorriso e lágrimas que apareceram no rosto dela eram de pura e sincera gratidão.
É como se fosse uma corrente do bem, onde eu não espero nada de volta, espero apenas que a pessoa continue a fazer o bem.



Por ora, essas são mais algumas das minhas memórias inesquecíveis. Vivendo e armazenando memórias novas, memórias inesquecíveis, que nem o tempo, nem o avançar da idade e nem mesmo a Esclerose Múltipla serão capazes de tirá-las de mim... A vida não para no diagnóstico. Sigamos.

Então, isso é tudo por hoje, pessoal! Continuem lendo, acompanhando e revisitando o blog.

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2 comentários:

  1. Aff Júlio! Textão! Mas li tudo viu? Obrigada pela parte que me toca.Adoro tuas histórias. Beijos

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    1. Obrigado pela dica, Tuka! Reduzi o tamanho do texto, pra não ficar cansativo e tomador de tempo :D

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